Ah! O carnaval
26/02/2009
Orgia, esbórnia, libertinagem, folguedo, entrudo, putaria generalizada e todo e qualquer adjetivo mais safadinho. No Carnaval, são esquecidas as amarguras e superadas as dificuldades do viver, é a preparação para todo um ano de desgraça que está prestes a começar, mas só depois do carnaval!
Pois bem devidamente apresentados ao tal carnaval, vamos ao que interessa. Vocês já repararam no comportamento dos foliões durante o festejo? Entre banhos de spray de espuma e cornetadas no ouvido estive pensando – “Como esse povo consegue se divertir tanto?”.
As ruas se enchem de foliões bêbados e valentes e “folionas” voluptuosas e… Como posso dizer… Dispostas! Tudo fica mais bonito, o jovem pai de família que chinga a própria esposa quando o filho caçula toca aquela cornetinha nojenta no sábado de manhã, tá lá na rua com a cornetinha do filho apurrinhando a vida dos passantes. A jovem mãe de família, que não deixa a filha ouvir a música do créu, tá lá descendo até o chão com um inocente copo de batidinha de maracujá na mão e a filha no colo…
E como o carnaval é democrático não é mesmo?! O nerd que não pega ninguém tá lá na farra com a sua mãozinha esperta atrás do trio-elétrico, com sorte e perspicácia até descola um belisco, quem sabe um molhadíssimo beijo daquela Colombina bêbada que resolveu disputar com a melhor amiga inimiga quem pega mais no bloco. Herpes? Isso é mito, uma invenção da mídia para inibir a felicidade do povo!
No carnaval o segredo da felicidade é se misturar em qualquer aglomeração pulando, com um sorriso beirando o Coringa do Heath Ledger, com certeza alguém vai passar a mão no seu ombro e pular junto com você sem rumo. Atenção tome cuidado para não utilizar essa técnica na fila de um daqueles banheiros químicos nojentos, as chances da pessoa que lhe abraçar esquecer que precisava ir ao banheiro são grandes, e você pode acabar compartilhando a mijadinha nas calças do novo amigo.
No final das contas é sempre divertido, goste você de carnaval ou não, é uma época muito engraçada, e na quarta feira de cinzas, quando a ressaca te afligir duramente, reze, mesmo que num acredite em Deus, reze pro seu porquinho da índia que morreu quando você tinha 12 anos, reze para que ninguém tenha filmado suas loucuras, e se filmaram que não publiquem, se publicarem, que não divulguem, se divulgarem, que não saiba, e se souber… Que o seu cônjuge e/ou família não saiba acessar o youtube.
Definitivamente, carnaval é suuuuper cheirosinho!!
Vírus e Cozinha
25/02/2009
Tentar remover um vírus do seu computador enquanto lê uma revista intitulada “Cozinha para iniciantes” é a forma mais incrível de se começar o último dia de folga de um carnaval. Normalmente, as pessoas estão colocando as coisas no lugar, que são tiradas das malas ou de ressaca, indo trabalhar, mas não, estou querendo aprender a cozinhar e ainda de quebra colocar meu computador em ordem.
Na verdade, quero remover esse vírus só porque já está muito chato o barulho do driver de disquete tentando ler alguma coisa sem porcaria de disquete nenhum. Eis que percebo a não existência de anti-vírus nenhum na minha querida máquina. Essa mesmo, que é usada, o tempo todo, pelos meus queridos irmãos, viciados em joguinhos idiotas e buscando novas amizades através de sites de relacionamentos. Essa constatação me enfureceu um pouco.
Mas até que enfim eu aprenderei como se faz um arroz branco para duas pessoas. Entretanto, isso será, por enquanto, apenas para leitura. Pois, prepararei um belo brigadeiro de panela, uma receita sensacional para eu me acabar nesse último dia de folga. Fora que já tenho combinado encontro com os meus amigos para beber durante a tarde toda e fechar o carnaval com chave de ouro.
Abrindo um parênteses antes, procurar um filme para download e se deparar com essa frase “Se você procura baixar ou fazer o donwload do filme …, compre o DVD.”. Melhor que todas as piadas do Sérgio Malandro juntas. Enfim, fim do carnaval, bela quarta feira de cinzas e amanhã de volta a rotina.
Ônibus
20/02/2009
Gente bonita, frescor, cores, cheiros e sabores, andar de ônibus pela cidade de São Paulo é uma experiência quase que afrodisíaca.
Pessoas bem humoradas, dispostas a trocar experiências, fazer novas amizades, gente disposta a bater aquele papo gostosinho, quem sabe até uma paquerinha inocente na volta da sofrida lida diária. O ônibus proporciona inigualável ambiente de calor humano, realçando o lado sensual e suado de cada qual que ali se encontra.
A demonstração de saúde das glândulas sudoríparas, dando o máximo de si em termos de produtividade, encharcando com sua solução salina as costas dos felizes passageiros. O belo brilho oleoso nas testas daqueles afortunados possuidores de assentos, onde de bocarra escancarada, descansam seus corpos cansados.
É bonito ver as senhoras felizes de cabelos roxos se aventurando na odisséia que se configura quando tem que atravessar toda extensão do coletivo a fim de descer na próxima parada, cabe o comentário que essas bravas senhorinhas apenas abandonam seus postos nas cadeiras preferenciais no último segundo, de modo a proporcionar maior adrenalina, a emoção, o perigo, o desafio de chegar à porta antes que a mesma se feche, os gritos de incentivo da multidão espremida – “Vai descer MOTÔ”, “Segura ai PILOTO”, “Vai descer nessa PORRA CARALHO” – só se compara à chegada de uma maratona olímpica.
Não poderia deixar de falar das belas moças (No ônibus entende-se por moças, mulheres do sexo feminino ou não, com idade entre 12 e 45 anos)… Ah as moças, sempre lisonjeadas com os mais finos galanteios, são abordadas elegantemente pelos cavalheiros presentes, se disponibilizando a ceder o lugar ou segurar a pesada bolsa de couro sintético que ostentam. Por vezes as moças recebem carinhosas demonstrações de afeto e calor humano, os cavalheiros, sempre respeitosos se preocupam firmemente em não causar qualquer constrangimento a elas, se preocupam em não parecerem vulgares ao passar pelas moças e inevitavelmente dar aquela respeitosa e inocente “encochadinha”.
Não poderia deixar de falar de personagens principais dessa deliciosa experiência, primeiro “O Motorista” – Profissional preparado audaz ao volante, preocupado em proporcionar a todos os passageiros, total conforto e segurança durante a viagem, nunca arranca o coletivo aos solavancos de modo que os passageiros não sejam jogados brutalmente uns contra os outros, sempre respeitando com dignidade e bom senso as leis do código nacional de trânsito. Por vezes permite desde que o ônibus esteja vazio é claro, a entrada de um simpático vendedor de quitutes, a fim de divertir e abastecer os passageiros com as delicias que trazem em suas cestinhas. Ou seja, o motorista é o verdadeiro comandante desse revigorante passeio. Por último, mas não menos importante, lembremos do “Cobrador”, conhecido também como “Trocador” ou “Da Catraca”, lá está ele, sempre com sorriso estampado no rosto, recostado confortavelmente em seu trono localizado geralmente na metade frontal do coletivo, honestidade e simpatia são algumas das principais características desses ilustres profissionais, indicam com precisão o ponto de parada quando questionados, conhecem como a palma da mão toda a rota de viagem. Responsável por cobrar a justa contribuição operacional dos passageiros, esse carinha simpático assume também a função de co-piloto auxiliando o motorista no embarque e desembarque dos passageiros e nas conversões alternativas ilegais que se fazem necessárias nos tortuosos caminhos que enfrentam. Corajoso e íntegro garante o respeito aos acentos preferenciais, garante também que todos os passageiros, independente de raça e credo, sejam tratados igualmente, não permitindo que nenhum espertinho tente passar por baixo da catraca burlando assim o pagamento da contribuição operacional.
Em síntese, viajar de ônibus pelas ruas de São Paulo, é conhecer gente nova, fazer sinceras amizades, voltar para casa feliz, tendo na viagem de volta o acalanto dessas figuras tão amigas, tão gentis, tão, tão, como poderia dizer?…Cheirosinhas