Nos últimos dias muito se tem ouvido sobre a polêmica da queda da obrigatoriedade do diploma de graduação para que o sujeito atue como jornalista. Estudantes de comunicação e alguns setores ligados à classe jornalística demonstram uma chiadeira um tanto mesquinha sobre o assunto, os argumentos se mostram um tanto vagos e sempre apontam para um protecionismo nervoso de classe.

Reclamam do enfraquecimento da classe, mas veja, uma classe profissional se faz em torno de um ramo de atuação e de uma conduta ética, condicionar a classe a um pedaço de papel ou couro de cabrito, é um atentado ao profissionalismo e competência, botando um título à frente da capacidade do indivíduo.

Um dos argumentos mais mesquinhos que li é a chorosa pergunta: “Mas pra que eu passei 4 anos na Universidade se qualquer um pode fazer o que faço?”. Esse é sem dúvida a maior bobagem que já ouvi. O sujeito deve ingressar na universidade em busca de um crescimento intelectual, um instrumento para adquirir o conhecimento necessário para ser melhor no que se dispõe a fazer. Perda de tempo mesmo, é buscar a universidade como um modo de titulação para desempenhar determinada função, e é dessa lógica que surgem os maus profissionais, os profissionais que estão mais preocupados com o contracheque no final do mês do que a qualidade do trabalho publicado.

Penso que para determinadas funções mais técnicas o próprio mercado se encarregará de se auto regulamentar, de modo que durante a seleção de seus profissionais haja a filtragem em função da titulação do candidato, essa filtragem do próprio mercado me parece mais justa que uma imposição legal. A latente preocupação com perder posto no mercado de trabalho por essa fatia titulada do jornalismo, demonstra total insegurança em relação a competência e importância do conteúdo adquirido nos tais quatro anos sentado em uma carteira dentro da universidade, quatro anos enchendo a cara nas festas da universidade, quatro anos de convivência com uma minoria de jovens elitizados, que serão o futuro da nossa imprensa. Afinal de contas, alguém que não tenha passado pela universidade de comunicação, seja por falta de interesse ou falta de acesso seria incapaz de escrever uma matéria qualificada, aliás, eu nem deveria estar publicando isso aqui, sou tecnólogo em sistemas de informação, ultraje! Aberta a temporada de caça aos não titulados, uma releitura dos estudantes “cara-pintadas”, e dessa vez por uma causa ainda mais justa! A sobrevivência da imprensa marrom.

6 Respostas para “O chororô dos diplomados”

  1. Naninha disse

    Verdade, na nossa área (informática) o diploma não é exigido por lei, mas isso não tira o lugar das pessoas que tem diploma. Quem não tem diploma pode muito bem aprender informática por conta e trabalhar com isso, e quem tem o diploma, é mais valorizado e ganha salários mais altos.
    Se nessa área, que é mais técnica, é assim, por que não poderia ser assim em outras áreas?
    É realmente o que falaste, a finalidade da faculdade deveria ser a busca da qualificação e do crescimento, não apenas um diploma.

  2. Rose disse

    Entendo o seu ponto, só expus o meu lá no rosearosa pra defender um valor no qual acredito. Mas foi como eu falei, vai ser bom pq posso exercer antes de me formar, mas ruim porque as reprimendas já começaram…

    Enfim, é esperar pra ver.

    Beijos

  3. Ananda Morelli disse

    Quanto à questão de uma possível perda do prestígio, não me parece que a inexigibilidade do diploma acarrete na desqualificação dos profissionais.

    Por exemplo, áreas como informática, publicidade… São profissionais bem pagos e qualificados, caso contrário sequer conseguem emprego. Como você disse, o próprio mercado regula esse tipo de coisa.

    Quanto a esses comentários do tipo “Gastei quatro anos da minha estudando para nada”, nós podemos ter uma idéia da qualidade dos nossos bacharéis. Teve nego que veio me perguntar se cabia ação de indenização…

    Quem tem que reclamar da decisão do STF são as faculdades de esquina, a indústria dos diplomas que forma bacharéis a rodo.

    Quanto à questão dos valores, da ciência do jornalismo, da importância da formação de profissionais íntegros, eu penso que as atrocidades que lemos diariamente na mídia não são frutos da ignorância ou imperícia de quem escreve. As pessoas sabem quando estão se vendendo. Se o Mainardi fizesse faculdade, a Veja estaria salva?

    Eu até acharia justo e plausível reclamar por um exame para qualificar os jornalistas. Salvo engano vocês também tem direito a uma carteira profissional específica, mas creio que é só levar o diploma e os documentos. Por que não lutar por um exame que filtre os milhares de jornalistas que temos por aí? Agora brigar por um canudo que não quer dizer absolutamente nada…

    Mesmo pela minha área, no Brasil tem mais bacharel de Direito do que puta. Se não fosse o exame da OAB nós teríamos mais advogados do que o mundo inteiro. É alarmante essa questão da indústria da educação.

    É meio chato dizer isso, mas fica a impressão de que o que está incomodando é uma questão de ego. O lance de comparar com cozinheiro foi dose para muitos aí. Eu pensei em escrever sobre isso mas parece que a imprensa tirou férias para falar do próprio umbigo e esqueceu dos outros temas.

    E não me levem a mal, mas essa manifestação dos jornalistas comendo jornal só não foi mais ridícula do que o Cansei da OAB-SP. Vergonha alheia. Como disseram no twitter: ao final dessa manifestação teremos o verdadeiro significado da imprensa marrom.

    Bjos
    @nanda_morelli

  4. Nana disse

    Oi querido, teu blog foi presenteado com o selo “ESTE BLOG ACERTA EM CHEIO”
    parabens, passa la depois para pegar.

    http://bahnana.blogspot.com/2009/08/selo.html

  5. Lelê disse

    Esse é um assunto que dá pano pra manga, né?
    Eu, falando como universitária, acho uma coisa quase que inaceitável. Concordo com o seu ponto de vista quando vc diz que não podemos encarar a universidade como uma coisa que nos dá o diploma no fim das contas, mas dói o orgulho em saber que passou-se quatro anos, no mínimo, aperfeiçoando conhecimento e dedicando-se, para que no fim das contas, a impressão seja a de que ”esse esforço nem valeu tão a pena assim..”.
    Por outro lado, acho que profissão tem muito mais a ver com vocação e paixão do que com diploma. Claro que não pode apenas ter a vocação e amar a coisa, sem fazer por onde…tem que ir atrás. Mas o que é um diploma para quem nasce com a coisa na veia?
    Claro que essa teoria não é aplicável a todas as profissões, imagina um médico ‘’sem faculdade”!

  6. Talita disse

    Realmente um assunto que rende, mas quando vejo o desespero dos formados ou futuros formandos em jornalismo só me resta concordar em cada vírgula com a afirmação: ” A latente preocupação com perder posto no mercado de trabalho por essa fatia titulada do jornalismo, demonstra total insegurança em relação a competência e importância do conteúdo adquirido”

    ;)

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