A Agonia e o Placebo
09/02/2011
“Agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte. Tem duração variável e caracteriza-se pela imobilidade e alteração das feições, por estertor ruidoso de que o moribundo parece não ter consciência, perturbação dos sentidos em geral, lividez, secura da língua, fraqueza do pulso, extinção gradual do calor animal da periferia para o centro. A respiração é difícil e imperceptível, parece à primeira vista ser a última a terminar, sendo talvez por isso que geralmente se emprega expirar como sinônimo de morrer, mas na realidade, o coração merece o epíteto que a ciência lhe deu ultimum moriens. A agonia pode ser tranqüila, mas quase sempre o moribundo é agitado por movimentos convulsivos, mais ou menos violentos; o delírio pode ser continuo e intermitente. Um período de aparente serenidade precede o termo final. É a melhora da morte, segundo a frase popular.” Font wikipedia
Quanto da agonia do ser humano cabe em algumas palavras mal escritas como essas que virão? Quanto da agonia do ser humano cabe no derradeiro momento em que, num surto depressivo desiste de tudo e de todos? Quanto da agonia do ser humano cabe na disposição em ler resenhas com essa temática?
Amigo, penso que seja impossível mensurar qualquer agonia do ser humano em momentos ou atitudes isoladas. A agonia de toda uma vida se faz de várias ações, obrigações e medos acumulados durante sua existência.
As frustrações de, enquanto criança não ter os melhores brinquedos, não ter brinquedo algum, de não ter família, de não ter o que comer.
O medo adolescente de não atender às cruéis expectativas despejadas sobre suas costas. O medo de não alcançar as suas próprias metas. A ansiedade aterrorizante de sequer ter a perspectiva de que haverá um amanhã para ser vivido.
A vida adulta em si, se constitui de uma agonia rasgante, que de um modo geral está diretamente ligado ao consumo desenfreado, a exigência exagerada de si próprio, a remuneração em troca do sacrifício.
O despertador – trim trim trim – a pontualidade mecânica do relógio se confunde com a mecânica do seu próprio cotidiano.
Acordar – susto – banho – camisa amassada – escova de dente – atraso – rua – multidão – aperto – suor – A mesa – cobranças – preocupações – mastigação – café – cigarro – A mesa – cobranças – preocupações – suor – aperto – multidão – rua – casa – banho – cama – cigarro – fechar os olhos – trim trim trim… Dia após dia.
O sorriso, a cachaça, a morena, o café e o cigarro amenizam a agonia, placebo, somente placebo.
Na vida em que vivemos, não vejo formas de se fugir dessa agonia, fugir dessa agonia do cotidiano significa mergulhar na agonia da tempestade, a tempestade que por vezes parece excitante não passa de um momento cíclico que vem e vai, vem e vai… Vai, vai, vai.
Não ouso tratar os placebos de que falo com desdém, todos fazemos uso do placebo, faz bem, conforta, arranca do mais intimo alguns momentos que considero de verdadeira felicidade no meio dessa agonia toda. Felicidade eterna, uma vez que Drummond profetizou que eterno é tudo aquilo que dura um fração de segundo, mas com tamanha intensidade que petrifica e nenhuma força jamais resgata. Sim felicidade eterna. Por que não?
O placebo consolida momentos eternos na vida de cada um de nós. Por isso devemos exaltar o placebo, devemos fazer uso do placebo com a maior intensidade possível, com a inconseqüência que lhe couber, com o amor que nos falta em todo o resto. Quem sabe dessa forma, não nos distanciamos de fato da agonia da clinicamente comprovada vida.
Abro o peito pra gritar – Honras ao sorriso, à cachaça, à morena, ao café e ao cigarro. Honras ao Placebo.
Abraço a todos!
Eu vivo na agonia por ver o tempo passar e os sonhos ficarem pra trás.
Ótimo texto, seja benvindo (ficou feio assim, neah?!)de volta a esse mundinho.
Beijo.
Rose!!! agradeço o comentário e penso que toda agonia pode ser amenizada. a minha eu amenizo aqui… beijos
Sinto a agonia de traçar um caminho e não saber por onde começar.
Muito bem escrito, gostei!
A agonia realmente nos persegue, também acredito que os placebos devem ser exaltados, pois é a unica parte da vida que se quer guardar na memória dessa fatídica vida.
Camila: ouça a musica “o meio” de Luis Tatit, talvez te ajude nessa sua agonia… brigado pelo comentario bjs
Luds, nao sei te dizer se o placebo é a UNICA coisa boa da vida, mas sem dúvida são as alegrias mais obvias… beijo até