Mais um pouco de agonia

16/02/2011

Voltemos então um pouco de nossa atenção aquela fase que nos auto-titulamos como adultos. Pois bem, se pensarmos em um ciclo natural onde essa fase de nossas vidas, no qual o placebo deixa de ser uma conseqüência e passa a ser necessidade de sobrevivência, deveríamos estar no ápice da agonia. Ate porque, por ser um ciclo, a terceira idade, se é que podemos definir desta maneira, seria um brando estado que nos remete, quase que obrigatoriamente, as primeiras idades!

Corroborando com esta idéia, essa fase, que por hora esta definida como o ápice da agonia, me parece contraditória. Vamos então a partir de uma das definições  de agonia fazer algumas observações:

“(…) agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte…” Apelando para uma naturalidade, mesmo sabendo da existência das exceções, esse fenômeno deveria fazer mais sentido quando fazemos referência a aquela mesma terceira idade que comentamos anteriormente.

“(…)Tem duração variável e caracteriza-se pela imobilidade e alteração das feições…” acredito que em relação as alterações de feições e a imobilidade, a analogia seria  bem intuitiva. Caso não seja, lembre-se meu caro de sua vovozinha ou do vovozinho, por incrível que pareça eles já tiveram seus rostinhos bem menos enrugados, sem contar que muitos deles precisam de alguma ajuda para se deslocar de um lugar para outro. Em relação a variabilidade da duração, vamos lá… Será que o óbito, melhor dizendo, o evento morte, ocorre quanto qualquer um deles atinge uma idade específica?

Desta forma, destacaria a agonia na terceira idade. Factível? Acredito que sim. Agora esse conceito de agonia parece fazer algum sentido no contexto. Contudo, esse senso de agonia não isenta âmago da agonia adulta, pode não repercutir o evento morte literalmente falando, mas é nessa fase no qual todos os seus nervos estão sendo colocados à prova. Hora no trabalho, hora em casa, na rua, na chuva e acredite, ate na fazenda!

“Placebar” realmente me parece inevitável nessa fase. E quanto a você adulto e leitor, o que acha de todo esse placebo que lhe é oferecido a todo o momento em forma de BBB, em forma de um falso salário, falso porque ele nos da a falsa sensação de recompensa. De fato acredito na essencialidade dele, mesmo quando este nos é proporcionado disfarçado de política.  Aquela mesma política do pão e circo lembra? Enfatizo, o que seria se não fosse o placebo? Ah placebo… Fazemos do placebo nosso travesseiro para a agonia, afinal como diria o grande  compositor  Arnaldo Antunes “(…) a gente não quer só comida a gente que comida DIVERSÃO e arte…”

 

Jhonas Reis

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