Voltemos então um pouco de nossa atenção aquela fase que nos auto-titulamos como adultos. Pois bem, se pensarmos em um ciclo natural onde essa fase de nossas vidas, no qual o placebo deixa de ser uma conseqüência e passa a ser necessidade de sobrevivência, deveríamos estar no ápice da agonia. Ate porque, por ser um ciclo, a terceira idade, se é que podemos definir desta maneira, seria um brando estado que nos remete, quase que obrigatoriamente, as primeiras idades!

Corroborando com esta idéia, essa fase, que por hora esta definida como o ápice da agonia, me parece contraditória. Vamos então a partir de uma das definições  de agonia fazer algumas observações:

“(…) agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte…” Apelando para uma naturalidade, mesmo sabendo da existência das exceções, esse fenômeno deveria fazer mais sentido quando fazemos referência a aquela mesma terceira idade que comentamos anteriormente.

“(…)Tem duração variável e caracteriza-se pela imobilidade e alteração das feições…” acredito que em relação as alterações de feições e a imobilidade, a analogia seria  bem intuitiva. Caso não seja, lembre-se meu caro de sua vovozinha ou do vovozinho, por incrível que pareça eles já tiveram seus rostinhos bem menos enrugados, sem contar que muitos deles precisam de alguma ajuda para se deslocar de um lugar para outro. Em relação a variabilidade da duração, vamos lá… Será que o óbito, melhor dizendo, o evento morte, ocorre quanto qualquer um deles atinge uma idade específica?

Desta forma, destacaria a agonia na terceira idade. Factível? Acredito que sim. Agora esse conceito de agonia parece fazer algum sentido no contexto. Contudo, esse senso de agonia não isenta âmago da agonia adulta, pode não repercutir o evento morte literalmente falando, mas é nessa fase no qual todos os seus nervos estão sendo colocados à prova. Hora no trabalho, hora em casa, na rua, na chuva e acredite, ate na fazenda!

“Placebar” realmente me parece inevitável nessa fase. E quanto a você adulto e leitor, o que acha de todo esse placebo que lhe é oferecido a todo o momento em forma de BBB, em forma de um falso salário, falso porque ele nos da a falsa sensação de recompensa. De fato acredito na essencialidade dele, mesmo quando este nos é proporcionado disfarçado de política.  Aquela mesma política do pão e circo lembra? Enfatizo, o que seria se não fosse o placebo? Ah placebo… Fazemos do placebo nosso travesseiro para a agonia, afinal como diria o grande  compositor  Arnaldo Antunes “(…) a gente não quer só comida a gente que comida DIVERSÃO e arte…”

 

Jhonas Reis

“Agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte. Tem duração variável e caracteriza-se pela imobilidade e alteração das feições, por estertor ruidoso de que o moribundo parece não ter consciência, perturbação dos sentidos em geral, lividez, secura da língua, fraqueza do pulso, extinção gradual do calor animal da periferia para o centro. A respiração é difícil e imperceptível, parece à primeira vista ser a última a terminar, sendo talvez por isso que geralmente se emprega expirar como sinônimo de morrer, mas na realidade, o coração merece o epíteto que a ciência lhe deu ultimum moriens. A agonia pode ser tranqüila, mas quase sempre o moribundo é agitado por movimentos convulsivos, mais ou menos violentos; o delírio pode ser continuo e intermitente. Um período de aparente serenidade precede o termo final. É a melhora da morte, segundo a frase popular.” Font wikipedia

Quanto da agonia do ser humano cabe em algumas palavras mal escritas como essas que virão? Quanto da agonia do ser humano cabe no derradeiro momento em que, num surto depressivo desiste de tudo e de todos? Quanto da agonia do ser humano cabe na disposição em ler resenhas com essa temática?

Amigo, penso que seja impossível mensurar qualquer agonia do ser humano em momentos ou atitudes isoladas. A agonia de toda uma vida se faz de várias ações, obrigações e medos acumulados durante sua existência.

As frustrações de, enquanto criança não ter os melhores brinquedos, não ter brinquedo algum, de não ter família, de não ter o que comer.

O medo adolescente de não atender às cruéis expectativas despejadas sobre suas costas. O medo de não alcançar as suas próprias metas. A ansiedade aterrorizante de sequer ter a perspectiva de que haverá um amanhã para ser vivido.

A vida adulta em si, se constitui de uma agonia rasgante, que de um modo geral está diretamente ligado ao consumo desenfreado, a exigência exagerada de si próprio, a remuneração em troca do sacrifício.

O despertador – trim trim trim – a pontualidade mecânica do relógio se confunde com a mecânica do seu próprio cotidiano.

Acordar – susto – banho – camisa amassada – escova de dente – atraso – rua – multidão – aperto – suor – A mesa – cobranças – preocupações – mastigação – café – cigarro – A mesa – cobranças – preocupações – suor – aperto – multidão – rua – casa – banho – cama – cigarro – fechar os olhos – trim trim trim… Dia após dia.

O sorriso, a cachaça, a morena, o café e o cigarro amenizam a agonia, placebo, somente placebo.

Na vida em que vivemos, não vejo formas de se fugir dessa agonia, fugir dessa agonia do cotidiano significa mergulhar na agonia da tempestade, a tempestade que por vezes parece excitante não passa de um momento cíclico que vem e vai, vem e vai… Vai, vai, vai.

Não ouso tratar os placebos de que falo com desdém, todos fazemos uso do placebo, faz bem, conforta, arranca do mais intimo alguns momentos que considero de verdadeira felicidade no meio dessa agonia toda. Felicidade eterna, uma vez que Drummond profetizou que eterno é tudo aquilo que dura um fração de segundo, mas com tamanha intensidade que petrifica e nenhuma força jamais resgata. Sim felicidade eterna. Por que não?

O placebo consolida momentos eternos na vida de cada um de nós. Por isso devemos exaltar o placebo, devemos fazer uso do placebo com a maior intensidade possível, com a inconseqüência que lhe couber, com o amor que nos falta em todo o resto. Quem sabe dessa forma, não nos distanciamos de fato da agonia da clinicamente comprovada vida.

Abro o peito pra gritar – Honras ao sorriso, à cachaça, à morena, ao café e ao cigarro. Honras ao Placebo.

Abraço a todos!

@Leandro_Duarte

Nos últimos dias muito se tem ouvido sobre a polêmica da queda da obrigatoriedade do diploma de graduação para que o sujeito atue como jornalista. Estudantes de comunicação e alguns setores ligados à classe jornalística demonstram uma chiadeira um tanto mesquinha sobre o assunto, os argumentos se mostram um tanto vagos e sempre apontam para um protecionismo nervoso de classe.

Reclamam do enfraquecimento da classe, mas veja, uma classe profissional se faz em torno de um ramo de atuação e de uma conduta ética, condicionar a classe a um pedaço de papel ou couro de cabrito, é um atentado ao profissionalismo e competência, botando um título à frente da capacidade do indivíduo.

Um dos argumentos mais mesquinhos que li é a chorosa pergunta: “Mas pra que eu passei 4 anos na Universidade se qualquer um pode fazer o que faço?”. Esse é sem dúvida a maior bobagem que já ouvi. O sujeito deve ingressar na universidade em busca de um crescimento intelectual, um instrumento para adquirir o conhecimento necessário para ser melhor no que se dispõe a fazer. Perda de tempo mesmo, é buscar a universidade como um modo de titulação para desempenhar determinada função, e é dessa lógica que surgem os maus profissionais, os profissionais que estão mais preocupados com o contracheque no final do mês do que a qualidade do trabalho publicado.

Penso que para determinadas funções mais técnicas o próprio mercado se encarregará de se auto regulamentar, de modo que durante a seleção de seus profissionais haja a filtragem em função da titulação do candidato, essa filtragem do próprio mercado me parece mais justa que uma imposição legal. A latente preocupação com perder posto no mercado de trabalho por essa fatia titulada do jornalismo, demonstra total insegurança em relação a competência e importância do conteúdo adquirido nos tais quatro anos sentado em uma carteira dentro da universidade, quatro anos enchendo a cara nas festas da universidade, quatro anos de convivência com uma minoria de jovens elitizados, que serão o futuro da nossa imprensa. Afinal de contas, alguém que não tenha passado pela universidade de comunicação, seja por falta de interesse ou falta de acesso seria incapaz de escrever uma matéria qualificada, aliás, eu nem deveria estar publicando isso aqui, sou tecnólogo em sistemas de informação, ultraje! Aberta a temporada de caça aos não titulados, uma releitura dos estudantes “cara-pintadas”, e dessa vez por uma causa ainda mais justa! A sobrevivência da imprensa marrom.

O Frio é uma coisa impressionante… Tudo muda, o humor das pessoas, a vestimenta das pessoas, a cor das pessoas, a beleza das pessoas e, sobretudo o cheirinho das pessoas.

As moçoilas capricham nos echarpes e no blush natural, os rapazes capricham nos casacos com ombreiras para parecerem mais parrudões… Mas isso pouco me importa. O que quero falar é sobre o que acontece por baixo desses panos, sacou?

Por baixo dos panos é que o frio se faz verdadeiro. É verdade que no frio muitos dão aquela famosa enforcadinha no banho da noite, alegando um típico: “Mas eu nem suei”. É verdade também que no frio, antes do inevitável banho da manhã uns e outros ficam de moletom e meias calibrando com sofreguidão a temperatura “quente-infernal” de sua ducha Lorenzetti.

É no frio que se descobre que os mais branquinhos podem assumir uma tonalidade arroxeada bastante mórbida nas coxas, por vezes variando para um cinza fúnebre, os mais moreninhos assumem a tonalidade fosca do chocolate hidrogenado Pan (aquele dos guarda-chuvinhas de chocolate).

Os homens especificamente sofrem bastante com esse clima gélido, o frio faz com que o homem não se reconheça ao espelho, jurando pra si próprio que em condições normais de temperatura e pressão seus membros reprodutores tem pelo menos o triplo do tamanho atual.

As crianças tem oportunidade de degustar sem pudor da sua iminente coriza, os pirralhos que possuem pais mais abastados de grana podem desfilar nas ruas de Campos do Jordão com suas luvas de dedos multicoloridos e casacos que os fazem parecer pequenos astronautas mirins, já os pirralhos com pais menos abastados se divertem apenas com a coriza mesmo e a tradicional brincadeira de fingir fumar com a fumacinha que sai com a respiração.

Enfim, o frio é uma delicia, o chá quente manchando o suéter branco cheio de bolinhas, a sensação de liberdade dormindo sob 15 quilos de edredons e mantinhas, e a tão esperada hora em que toca o despertador as 6:00 da manhã – hora de trabalhar.

Estava eu a galgar pela inquieta selva de informações eletrônicas, vulgo “internet”, quando de repente, e não mais que de repente, me deparo com a seguinte manchete: “Vaticano diz: Maquina de lavar foi mais importante para a mulher do que a pílula anticoncepcional”.

Hora, pois! Nada mais óbvio meninada, quem terá coragem de contestar uma afirmação tão justa, tão ética, e tão digna. Afirmação essa que parte de uma instituição reconhecidamente avançada, moderna, como dizem alguns: “Suuuper pra frentexxx”.

Mais uma vez a igreja católica, por meio do jornalzinho de bairro do Vaticano, mostra com louvor as razões pelas quais conquista seu imenso crescimento e inserção entre a clientela o público jovem ao redor do mundo.

Criminalização do aborto, proibição ao uso de preservativos, dura crítica as políticas de educação sexual nos colégios, enfim, essas e outras posturas garantem ao Vaticano o justo reconhecimento pela contribuição que faz no sentido da evolução da sociedade enquanto massa de manobra impotente e acéfala, ou seja, o modelo de sociedade perfeita, digna, assexuada e feliz. “Em terra de olho quem tem um cego errei”.

É isso ai criançada, é sempre bom atentar para as novidades cheirosinhas (sabão em pó) da terra do homem de branco, aliás, seria para manter a batina sempre branca que defendem a máquina de lavar? Será? Uma conspiração da poderosa industria de eletrodomésticos de primeira necessidade, essa é uma resposta que infelizmente eu não tenho …


Ps: Vale lembrar que existem sim setores da igreja católica bastante avançados na defesa das minorias no Brasil, como por exemplo, o Grito dos Excluídos

Ah! O carnaval

26/02/2009

Orgia, esbórnia, libertinagem, folguedo, entrudo, putaria generalizada e todo e qualquer adjetivo mais safadinho. No Carnaval, são esquecidas as amarguras e superadas as dificuldades do viver, é a preparação para todo um ano de desgraça que está prestes a começar, mas só depois do carnaval!

Pois bem devidamente apresentados ao tal carnaval, vamos ao que interessa. Vocês já repararam no comportamento dos foliões durante o festejo? Entre banhos de spray de espuma e cornetadas no ouvido estive pensando – “Como esse povo consegue se divertir tanto?”.

As ruas se enchem de foliões bêbados e valentes e “folionas” voluptuosas e… Como posso dizer… Dispostas! Tudo fica mais bonito, o jovem pai de família que chinga a própria esposa quando o filho caçula toca aquela cornetinha nojenta no sábado de manhã, tá lá na rua com a cornetinha do filho apurrinhando a vida dos passantes. A jovem mãe de família, que não deixa a filha ouvir a música do créu, tá lá descendo até o chão com um inocente copo de batidinha de maracujá na mão e a filha no colo…

E como o carnaval é democrático não é mesmo?! O nerd que não pega ninguém tá lá na farra com a sua mãozinha esperta atrás do trio-elétrico, com sorte e perspicácia até descola um belisco, quem sabe um molhadíssimo beijo daquela Colombina bêbada que resolveu disputar com a melhor amiga inimiga quem pega mais no bloco. Herpes? Isso é mito, uma invenção da mídia para inibir a felicidade do povo!

No carnaval o segredo da felicidade é se misturar em qualquer aglomeração pulando, com um sorriso beirando o Coringa do Heath Ledger, com certeza alguém vai passar a mão no seu ombro e pular junto com você sem rumo. Atenção tome cuidado para não utilizar essa técnica na fila de um daqueles banheiros químicos nojentos, as chances da pessoa que lhe abraçar esquecer que precisava ir ao banheiro são grandes, e você pode acabar compartilhando a mijadinha nas calças do novo amigo.

No final das contas é sempre divertido, goste você de carnaval ou não, é uma época muito engraçada, e na quarta feira de cinzas, quando a ressaca te afligir duramente, reze, mesmo que num acredite em Deus, reze pro seu porquinho da índia que morreu quando você tinha 12 anos, reze para que ninguém tenha filmado suas loucuras, e se filmaram que não publiquem, se publicarem, que não divulguem, se divulgarem, que não saiba, e se souber… Que o seu cônjuge e/ou família  não saiba acessar o youtube.

Definitivamente, carnaval é suuuuper cheirosinho!!

Vírus e Cozinha

25/02/2009

Tentar remover um vírus do seu computador enquanto lê uma revista intitulada “Cozinha para iniciantes” é a forma mais incrível de se começar o último dia de folga de um carnaval. Normalmente, as pessoas estão colocando as coisas no lugar, que são tiradas das malas ou de ressaca, indo trabalhar, mas não, estou querendo aprender a cozinhar e ainda de quebra colocar meu computador em ordem.
Na verdade, quero remover esse vírus só porque já está muito chato o barulho do driver de disquete tentando ler alguma coisa sem porcaria de disquete nenhum. Eis que percebo a não existência de anti-vírus nenhum na minha querida máquina. Essa mesmo, que é usada, o tempo todo, pelos meus queridos irmãos, viciados em joguinhos idiotas e buscando novas amizades através de sites de relacionamentos. Essa constatação me enfureceu um pouco.
Mas até que enfim eu aprenderei como se faz um arroz branco para duas pessoas. Entretanto, isso será, por enquanto, apenas para leitura. Pois, prepararei um belo brigadeiro de panela, uma receita sensacional para eu me acabar nesse último dia de folga. Fora que já tenho combinado encontro com os meus amigos para beber durante a tarde toda e fechar o carnaval com chave de ouro.
Abrindo um parênteses antes, procurar um filme para download e se deparar com essa frase “Se você procura baixar ou fazer o donwload do filme …, compre o DVD.”. Melhor que todas as piadas do Sérgio Malandro juntas. Enfim, fim do carnaval, bela quarta feira de cinzas e amanhã de volta a rotina.

Ônibus

20/02/2009

Gente bonita, frescor, cores, cheiros e sabores, andar de ônibus pela cidade de São Paulo é uma experiência quase que afrodisíaca.

Pessoas bem humoradas, dispostas a trocar experiências, fazer novas amizades, gente disposta a bater aquele papo gostosinho, quem sabe até uma paquerinha inocente na volta da sofrida lida diária. O ônibus proporciona inigualável ambiente de calor humano, realçando o lado sensual e suado de cada qual que ali se encontra.

A demonstração de saúde das glândulas sudoríparas, dando o máximo de si em termos de produtividade, encharcando com sua solução salina as costas dos felizes passageiros. O belo brilho oleoso nas testas daqueles afortunados possuidores de assentos, onde de bocarra escancarada, descansam seus corpos cansados.

É bonito ver as senhoras felizes de cabelos roxos se aventurando na odisséia que se configura quando tem que atravessar toda extensão do coletivo a fim de descer na próxima parada, cabe o comentário que essas bravas senhorinhas apenas abandonam seus postos nas cadeiras preferenciais no último segundo, de modo a proporcionar maior adrenalina, a emoção, o perigo, o desafio de chegar à porta antes que a mesma se feche, os gritos de incentivo da multidão espremida – “Vai descer MOTÔ”, “Segura ai PILOTO”, “Vai descer nessa PORRA CARALHO” – só se compara à chegada de uma maratona olímpica.

Não poderia deixar de falar das belas moças (No ônibus entende-se por moças, mulheres do sexo feminino ou não, com idade entre 12 e 45 anos)… Ah as moças, sempre lisonjeadas com os mais finos galanteios, são abordadas elegantemente pelos cavalheiros presentes, se disponibilizando a ceder o lugar ou segurar a pesada bolsa de couro sintético que ostentam. Por vezes as moças recebem carinhosas demonstrações de afeto e calor humano, os cavalheiros, sempre respeitosos se preocupam firmemente em não causar qualquer constrangimento a elas, se preocupam em não parecerem vulgares ao passar pelas moças e inevitavelmente dar aquela respeitosa e inocente “encochadinha”.

Não poderia deixar de falar de personagens principais dessa deliciosa experiência, primeiro “O Motorista” – Profissional preparado audaz ao volante, preocupado em proporcionar a todos os passageiros, total conforto e segurança durante a viagem, nunca arranca o coletivo aos solavancos de modo que os passageiros não sejam jogados brutalmente uns contra os outros, sempre respeitando com dignidade e bom senso as leis do código nacional de trânsito. Por vezes permite desde que o ônibus esteja vazio é claro, a entrada de um simpático vendedor de quitutes, a fim de divertir e abastecer os passageiros com as delicias que trazem em suas cestinhas. Ou seja, o motorista é o verdadeiro comandante desse revigorante passeio. Por último, mas não menos importante, lembremos do “Cobrador”, conhecido também como “Trocador” ou “Da Catraca”, lá está ele, sempre com sorriso estampado no rosto, recostado confortavelmente em seu trono localizado geralmente na metade frontal do coletivo, honestidade e simpatia são algumas das principais características desses ilustres profissionais, indicam com precisão o ponto de parada quando questionados, conhecem como a palma da mão toda a rota de viagem. Responsável por cobrar a justa contribuição operacional dos passageiros, esse carinha simpático assume também a função de co-piloto auxiliando o motorista no embarque e desembarque dos passageiros e nas conversões alternativas ilegais que se fazem necessárias nos tortuosos caminhos que enfrentam. Corajoso e íntegro garante o respeito aos acentos preferenciais, garante também que todos os passageiros, independente de raça e credo, sejam tratados igualmente, não permitindo que nenhum espertinho tente passar por baixo da catraca burlando assim o pagamento da contribuição operacional.

Em síntese, viajar de ônibus pelas ruas de São Paulo, é conhecer gente nova, fazer sinceras amizades, voltar para casa feliz, tendo na viagem de volta o acalanto dessas figuras tão amigas, tão gentis, tão, tão, como poderia dizer?…Cheirosinhas